Um mundo com leis como o nosso mais que não são registradas. Um regime decadente, situações mais que precarias. Adjetivando dessa forma parece apenas um mundo criado pelo nosso lado surreal. Mas ele está mais perto do que imaginamos e dispõe de um poder tão avassalador que quem está numa prisão domina quem está fora. Não é muito diferente do que presenciamos onde predomina a lei do mais forte dominar o mais fraco. No caso os mais respeitados são os mais delinquentes, conhecidos no mundo do crime. Aqueles autodenominados como primários tem que se dispor de muito dinheiro para não sofrer severamente, tudo tem seu preço.
A população carcerária é basicamente constituída por jovens, homens, pobres e com baixo nível de escolaridade. Dados estatísticos apontam o crescimento desenfreado de detentos sendo que o crime mais comum entre eles é o roubo. Para os presidiários a cadeia pode ser comparada como uma escola onde eles aprendem fabricar desde bebidas até armamentos, porém a cadeia movimenta também uma economia movida por um comércio ilegal e controlada pelo crime organizado; uma facção criminosa que iniciou-se de um simples time de futebol formado por detentos e que hoje cresceu tanto que não possui um número exato de integrantes. Essa facção exerce um poder tão expressivo que consegue até mesmo controlar as leis do mundo aqui fora. Mesmo que seja proibido os detentos contornam a situação e conseguem trazer as suas celas: drogas, celulares entre outros, às vezes por meio de visitantes ou por meio de funcionários corruptos. Nem mesmo investigações minuciosas são suficientes para contornar tal situação.
As condições carcerárias são assustadoras, a maioria das penitenciárias mantêm entre duas a cinco vezes mais presos do que sua capacidade comporta, em alguns casos a superlotação atinge níveis desumanos, os detentos em sua grande maioria dispõe de menos de um metro quadrado cada um sendo que a capacidade de uma penitenciária é para abrigar de quatro a seis pessoas apenas;essa decadência de espaço recai sobre os presos mais pobres, fracos e menos influentes que tendem a viver em acomodações mmenos habitavéis e quem quizer desfrutar de maior conforto tem que desembolsar muito dinheiro visto que um apenas colchão custa trinta reais. Essa grande demanda chama atenção para as delegacias policias superlotadas, que ao invés de serem usadas para detenções de curto prazo após a prisão inicial acabam sendo utilizadas a longo período numa rotina de ociosidade total.
Qual seria a solução para tal problema já que para os presos pouco importa em estar dentro ou fora de uma cadeia pois seu poder manipulador será o mesmo, porém dentro dela sua regalias são maiores. Como encontrar uma saída para esse labirinto construido por nossa própria sociedade. Na verdade não é quem está numa cadeia que está disprovido de liberdade e sim nós que temos extinto em nosso dia-a -dia o direito de sermos livres pois nos vemos aprisionados em nossas casas que se transformaram em verdadeiras penitenciárias, sempre estamos preparados para sermos vitímas do crime. Será que bastará a nós cruzarmos os braços e conformarmos com a situação ou será que está na hora de cobrarmos por melhores condições de vida aos nossos governantes e primar pela nossa segurança e pela ressocialização dos detentos, porque de nada adianta prender um delinquente sem tentar mudar sua atitude pois seu comportamentom será pior do que quando entrou na prisão.
Segundo as autoridades para finalizar com tal decadência no sistema prisional a única saída e pôr fim a superlotação para que não haja a necessidade de disputar espaços pondo fim assim ao comércio ilegal. Então por que essa mudança fica apenas em planos e não é colocada em prática? Será que as facções criminosas estão controlando também as autoridades? Não se sabe a resposta certa, mas colocar um ponto final nessa situação é a atitude mais correta a se fazer antes que seja tarde demais.